Alarme, celular, notificações, correria. Quando percebe, o dia já começou sem você. A boa notícia: cinco minutos de intenção pela manhã mudam o tom do resto do dia. Por que um pouco de desconforto ajuda A mente adora o conforto. Ela vai dizer “dorme mais um pouquinho” ou “hoje não precisa”. Para muita gente, só reservar um momento de meditação e cuidado consigo já é desconfortável, e é justamente aí que está o ganho: você mostra à sua mente que quem decide é você. Pequenas atitudes logo cedo, como arrumar a cama ou acordar no horário combinado, dão a sensação de missão cumprida e se estendem para o resto do dia. A rotina do amanhecer em 5 passos O exercício de respiração É simples e pode ser feito em qualquer momento do dia, não só de manhã. Ele ajuda a ativar a circulação, oxigenar o corpo e elevar o estado de consciência. Quer um reforço? Ouça uma frequência Para acompanhar sua rotina, experimente os batimentos binaurais: dois sons de frequências levemente diferentes, um em cada ouvido. Recomendamos que use fones de ouvido. Procure por “binaural beats 10 Hz” ou “binaural beats 14 Hz” no YouTube ou no Spotify. Vale lembrar que os estudos sobre o efeito são promissores, mas ainda limitados: veja como uma ferramenta de apoio, não como solução mágica. “Mas eu não sou uma pessoa matutina” Isso costuma ser uma ideia que criamos na cabeça. Quando você se dispõe a acordar cedo e transforma isso em hábito, fica cada vez mais fácil. Comece pequeno: uma etapa por vez já vale. Cuidados Respirações aceleradas podem causar tontura. Faça sentado ou deitado, nunca em pé, dirigindo ou na água. Se você está grávida ou tem problema cardíaco, pressão alta, epilepsia ou outra condição de saúde, consulte um profissional antes de praticar. Seu desafio de hoje Escolha um desconforto que faz bem (acordar mais cedo, meditar, treinar em vez de maratonar série) e inclua na sua manhã. Amanhã, comece. Essa prática faz parte da jornada gratuita dos 21 Dias. Participe aqui.
Pensamentos Quebrados :a dor humana A luz da psicanálise e da fé Cristocêntrica
Autor(a): Thiuan batista Araújo RQH: T-070733-BRA . Introdução A experiência humana é marcada por sentimentos, pensamentos, conflitos, perdas e momentos de sofrimento. Em determinados períodos da vida, a pessoa pode experimentar aquilo que podemos chamar de “pensamentos quebrados”: pensamentos confusos, contraditórios, marcados pela culpa, pelo medo, pela insegurança, pela tristeza ou por experiências dolorosas. A dor emocional muitas vezes não é visível aos olhos, mas pode produzir profundas consequências na maneira como o indivíduo percebe a si mesmo, as outras pessoas e o próprio futuro. A compreensão desses conflitos pode ser abordada por diferentes perspectivas. A psicanálise, especialmente a partir das contribuições de Sigmund Freud, procurou compreender os processos inconscientes que participam da formação dos pensamentos, desejos, conflitos e sofrimentos humanos. Para Freud, parte significativa da vida psíquica não está imediatamente disponível à consciência, sendo influenciada por experiências, desejos e conflitos inconscientes. A perspectiva cristocêntrica, por sua vez, parte da centralidade de Jesus Cristo para compreender a existência humana, o sofrimento, a esperança e a restauração. A Bíblia reconhece a realidade da dor humana, mas apresenta Deus como aquele que se aproxima do ser humano em seu sofrimento. Em Cristo, a mensagem cristã encontra seu centro na graça, no perdão, na reconciliação e na esperança. Assim, este trabalho busca refletir sobre os pensamentos quebrados e a dor humana, estabelecendo um diálogo entre algumas contribuições da psicanálise e a mensagem bíblica, tendo Jesus Cristo como centro da reflexão. 2. Pensamentos quebrados e a experiência da dor O pensamento humano não é formado apenas por ideias racionais. Ele também está relacionado às experiências vividas, aos relacionamentos, às lembranças, aos medos e às expectativas. Uma experiência dolorosa pode permanecer na memória e influenciar a maneira como uma pessoa interpreta acontecimentos posteriores. Uma pessoa que passou por rejeição, por exemplo, pode desenvolver pensamentos relacionados ao medo de ser novamente rejeitada. Uma experiência de perda pode produzir insegurança diante de novas relações. Uma experiência de fracasso pode fazer com que o indivíduo passe a interpretar novos desafios a partir da expectativa de que também fracassará. Nesse sentido, “pensamentos quebrados” pode ser compreendido como uma expressão simbólica para representar uma mente marcada por conflitos, sofrimento e dificuldades de organizar emocionalmente determinadas experiências. A dor também pode modificar a percepção que uma pessoa possui de si mesma. Em situações de sofrimento intenso, podem surgir pensamentos como: “não sou importante”, “ninguém se importa comigo”, “não existe esperança” ou “não conseguirei superar isso”. Esses pensamentos não devem ser simplesmente ignorados. Eles precisam ser compreendidos dentro da história da pessoa e de suas experiências. 3. Freud e a compreensão do conflito psíquico Sigmund Freud foi um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da psicanálise. Sua obra procurou investigar aspectos da vida psíquica que não são totalmente conscientes. O conceito de inconsciente ocupa uma posição fundamental em sua teoria. Na perspectiva freudiana, determinados desejos, lembranças e conflitos podem permanecer fora da consciência, mas continuar influenciando pensamentos e comportamentos. O sofrimento psíquico, portanto, pode estar relacionado a conflitos internos que não são imediatamente reconhecidos pelo indivíduo. Freud também desenvolveu conceitos como repressão, resistência e conflito psíquico. A repressão pode ser entendida, de maneira simplificada, como um processo pelo qual determinados conteúdos incompatíveis com a consciência são afastados dela. Entretanto, o fato de determinado conteúdo não estar consciente não significa necessariamente que ele tenha deixado de produzir efeitos. A psicanálise propõe, por meio da fala e da escuta, uma possibilidade de elaboração desses conflitos. O sujeito é convidado a falar sobre aquilo que o aflige, permitindo que determinados conteúdos possam ser reconhecidos e trabalhados. Essa perspectiva contribuiu significativamente para a compreensão do sofrimento humano, especialmente ao demonstrar que nem sempre aquilo que uma pessoa pensa conscientemente explica completamente suas atitudes, sentimentos e conflitos. Entretanto, é importante distinguir a perspectiva psicanalítica da perspectiva cristã. Freud desenvolveu sua teoria dentro de um campo científico e cultural específico, enquanto a fé cristã parte da revelação bíblica e da centralidade de Deus e de Cristo. Portanto, não se deve afirmar que Freud e a Bíblia apresentam a mesma explicação para o sofrimento. 4. A perspectiva bíblica sobre a mente e a dor A Bíblia não apresenta uma visão superficial do sofrimento. Pelo contrário, diversos personagens bíblicos experimentaram medo, angústia, perdas, dúvidas e momentos de profundo sofrimento. Os Salmos apresentam inúmeras expressões de dor humana. O salmista muitas vezes fala diretamente com Deus a partir de sua angústia. Essa característica é importante porque demonstra que a fé bíblica não exige que o indivíduo esconda seus sentimentos diante de Deus. O Salmo 34:18 afirma: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado”. Essa passagem apresenta uma mensagem central para uma reflexão sobre pensamentos quebrados: Deus não é apresentado como distante daqueles que sofrem. O quebrantamento aparece justamente como um espaço no qual a presença de Deus pode ser buscada. Isaías 41:10 também apresenta uma mensagem de encorajamento: “Não temas, porque eu sou contigo”. A passagem enfatiza a presença e o auxílio de Deus diante das dificuldades. No Novo Testamento, Jesus demonstra profunda atenção às pessoas que sofrem. Ele se aproxima de enfermos, rejeitados, pecadores e pessoas marginalizadas. Sua atuação revela uma dimensão de compaixão e acolhimento. Em Mateus 11:28, Jesus declara: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. A mensagem aponta para Cristo como aquele que recebe pessoas cansadas e sobrecarregadas. 5. Cristo como centro da restauração Uma perspectiva cristocêntrica não coloca o ser humano como centro absoluto da própria restauração. O centro é Cristo. A mensagem do Evangelho apresenta Jesus como aquele que veio reconciliar o ser humano com Deus. A cruz representa, para a fé cristã, o ponto central dessa reconciliação. Em Cristo, a culpa, o pecado e a separação de Deus são tratados pela graça. Efésios 1:7 afirma que “em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça”. Isso significa que a mensagem cristã não se limita a ensinar a pessoa a pensar positivamente. Ela apresenta uma esperança
Identificando a ansiedade, psicose e neurose
Autor(a): Jose Claudio Viana De Almeida RQH: 16841598814 OBJETIVO Interpretar com um olhar psicanalítico clínico as causas da ansiedade, neurose e psicose, dentro do material apresentado. Metodologia e hipótese – pesquisa, qualitativa, bibliográfica, estudo de caso. Busca de aprovação, desejos ocultos, quebras de paradigmas, ansiedade de realidade, Neurose, Psicose, lutas do consciente e inconsciente. Ou falta de construir barreiras internas para evitar situações de perigo e consequência? Segundo o noticiário, G1 do Rio Grande do Sul, quatro alunos veteranos do curso de artes visuais, receberam os calouros, pelados na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Furg). Atitude que gerou grande repercussão, manifestação de políticos e comentários depreciativos. Conforme a matéria, a coordenação do curso informou que o acontecimento foi uma performance artística não tendo conotação erótica e não viu nenhum problema na ação realizada. O que estariam por trás dos discursos, acusações, julgamentos e defesas? Olhando com um olhar analítico, reitores e professores da universidade estariam usando os alunos para quebrar o politicamente correto? Poderíamos pensar em um evento do super ego usando a nudez como expressão de liberdade, desafiando normas sociais estabelecidas. Os alunos estavam a buscar a aprovação pela aceitação? O Jornalista na sua narração destaca que os alunos estavam usando óculos escuros, o que estavam a esconder, já que estavam sem roupas, estariam esses jovens em conflitos severos entre o eu (Ego) e o mundo externo? Sigmund Freud fala que a psicose é um estado psíquico que resulta em uma ruptura com a realidade. As atitudes dos jovens seriam desejos internos de ficarem pelados, ou uma tentativa de curar seus traumas, eles tinham consciência da realidade? Tudo nos leva a pensar que os jovens foram manipulados por pessoas com vários objetivos e que mais tarde venha a se arrependerem pelo motivo de novas crenças e posições sociais. As críticas estavam a questionar a nudez como liberdade de expressão, pregada pela universidade dentro da moral ética ou se tratava de conteúdo para engajamento e promoção de discursos moralistas ou briga do mal contra o bem. No livro “O mal-estar na civilização” de Sigmund Freud, ele resume que a própria evolução da cultura e humanidade é o palco dessa eterna disputa. No carnaval de São Paulo em 2019 a comissão de frente da escola de samba Gaviões da Fiel reeditou o enredo “A saliva do santo e o veneno da serpente” no caso da (Furg) será que os jovens e apoiadores foram as serpentes e as manifestações de críticas sintomáticas e rígida do superego os santos? Nas sagradas escrituras a (Bíblia) no Livro de Jó, narra a história de um homem justo e íntegro que enfrenta uma série de tragédias devastadoras, incluindo a perda da família, saúde e riqueza por este motivo os seus amigos, impetraram julgamentos e críticas por toda aquela situação. Valorizo o fato quando Jó não silencia os seus sintomas e nem se cala ficando revoltado com tudo o que estava acontecendo, vivendo em um desamparo radical, estaria Jó vivendo uma crise de neurose? Com isso podemos afirmar que o mundo não é um lugar puramente justo, previsível e controlado por uma lógica meritocrática, os amigos de Jó insistiam que ele tinha pecado ocultamente para merecer o castigo, os amigos operam com um superego externo e projetado, a mente humana prefere internalizar a culpa. No início da narrativa, os amigos passam sete dias em silêncio ao lado de Jó esse seria o espaço ideal de empatia e escuta, contudo eles rompem a alteridade quando voltam a julgá-lo. Poderiam ter uma escuta analítica que acolhe a dor sem julgamento. No final do livro (capítulo 42), o altíssimo desaprovou o que os amigos de Jó fizeram e o supremo trouxe restauração e lhe deu o dobro de tudo. CONCLUSÃO A ansiedade, a neurose e a psicose representam diferentes níveis de sofrimento psíquico e formas distintas de relação com a realidade. A partir da perspectiva psicanalítica, é possível compreender essas estruturas considerando os conflitos entre o consciente e o inconsciente, bem como as diferentes formas de manifestação do sofrimento humano. REFERÊNCIAS TRINDADE, Pedro. Quatro alunos veteranos recebem calouros pelados em performance artística na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FURG). G1 Rio Grande do Sul, 19 mar. 2024. FREUD, Sigmund. Neurose e Psicose. 1924. p. 177-183. FREUD, Sigmund. Inibição, sintoma e ansiedade (Hemmung, Symptom und Angst). 1926. FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. 1930. JUNG, Carl Gustav. Resposta a Jó. 1952. BÍBLIA SAGRADA. Livro de Jó. Nova Versão Internacional (NVI).
Sol e Lua: a antiga linguagem da polaridade que ainda vive em nós
O Sol representa o princípio masculino e a Lua o princípio feminino? Essa associação aparece há milhares de anos em diferentes tradições filosóficas, religiosas e esotéricas. No hermetismo, no Yin-Yang chinês, na mitologia grega e nas tradições indianas, encontramos diferentes formas de representar forças complementares como ação e receptividade, luz e reflexão, expansão e recolhimento. Embora essas associações sejam principalmente simbólicas e filosóficas, algumas características dos ritmos naturais e biológicos tornam essa antiga comparação especialmente interessante. O que o Sol e a Lua representam espiritualmente? Em diversas tradições, o Sol é associado ao princípio masculino, enquanto a Lua é associada ao princípio feminino. Essa interpretação não significa necessariamente que homens pertençam ao Sol e mulheres pertençam à Lua. Trata-se de uma linguagem simbólica utilizada para representar duas forças complementares presentes na natureza e na experiência humana. O Sol emite sua própria luz. A Lua, observada da Terra, reflete a luz solar. Por isso, simbolicamente, o Sol passou a representar ação, iniciativa, expressão, consciência, força, exteriorização e expansão. A Lua, por sua vez, passou a representar receptividade, interioridade, sensibilidade, intuição, ciclos, transformação e reflexão. Nesse sentido, masculino e feminino podem ser compreendidos como princípios simbólicos, e não apenas como características biológicas de homens e mulheres. Sol e Lua na linguagem da polaridade Aspecto Sol Lua Princípio simbólico Masculino Feminino Movimento Ação e expansão Receptividade e recolhimento Luz Emite luz Reflete a luz solar Simbolismo Força, iniciativa e expressão Intuição, ciclos e transformação Ritmo associado Ciclo diário Ciclo lunar Arquétipo Exteriorização Interioridade Essa tabela representa associações simbólicas presentes em diferentes tradições, e não uma classificação científica de homens e mulheres. O princípio de polaridade no hermetismo A ideia de que a realidade manifesta forças complementares aparece no hermetismo, tradição filosófica associada aos ensinamentos atribuídos a Hermes Trismegisto. Entre os princípios tradicionalmente relacionados ao hermetismo está o conceito de polaridade: diferentes manifestações podem ser compreendidas como extremos de uma mesma realidade. Calor e frio. Luz e escuridão. Atividade e repouso. Dentro dessa perspectiva, masculino e feminino não precisam representar uma disputa entre forças opostas. São polos complementares que participam da manifestação e do movimento. Essa visão também aparece, com diferentes significados e fundamentos, em outras culturas. Yin e Yang: duas forças complementares Na tradição chinesa, o conceito de Yin e Yang apresenta uma das representações mais conhecidas da complementaridade. O Yin é tradicionalmente associado a características como receptividade, interioridade, sombra e passividade. O Yang, por outro lado, relaciona-se a atividade, luminosidade, exterioridade e expansão. É importante observar que Yin e Yang não significam simplesmente “mulher” e “homem”. A ideia é mais ampla: ambos existem em relação um ao outro e estão presentes nos diferentes fenômenos da natureza. Essa concepção ajuda a compreender por que tantas tradições utilizaram imagens como Sol e Lua para representar diferentes aspectos da realidade. Apolo e Ártemis: Sol e Lua na mitologia grega Na mitologia grega, Apolo tornou-se fortemente associado ao Sol, à luz e à ordem, enquanto Ártemis esteve associada à Lua e à natureza. Essas figuras representam outra manifestação da antiga tendência de relacionar os ciclos celestes às experiências humanas. O céu não era apenas observado. Ele também era interpretado. Para sociedades que dependiam diretamente dos ciclos naturais, observar o movimento do Sol, da Lua e das estrelas era uma forma de compreender o tempo, as estações e os ritmos da própria existência. Shiva e Shakti: masculino e feminino na tradição hindu Na tradição hindu, a relação entre Shiva e Shakti apresenta outro exemplo de complementaridade. Shiva é frequentemente relacionado ao princípio da consciência, enquanto Shakti representa a energia, o poder e a força dinâmica da manifestação. A relação entre ambos não precisa ser entendida como uma oposição. Pelo contrário: a manifestação depende da interação entre os dois princípios. Essa mesma lógica aparece em diversas tradições espirituais: a realidade não é apresentada como resultado de uma única força isolada, mas como resultado da interação entre diferentes polaridades. O Sol, o relógio biológico e o ciclo de 24 horas É nesse ponto que o simbolismo antigo encontra um fenômeno estudado pela ciência moderna. O organismo humano possui um sistema de ritmos biológicos conhecido como ritmo circadiano, que acompanha aproximadamente um ciclo de 24 horas. A luz e a escuridão exercem papel importante na organização desse relógio biológico. Sono, temperatura corporal, metabolismo e diferentes processos hormonais apresentam variações ao longo do dia. A testosterona, por exemplo, apresenta variação diurna, geralmente com concentrações mais elevadas pela manhã e menores posteriormente. Isso não significa que exista um “ciclo solar masculino” cientificamente comprovado, mas mostra que existe uma relação importante entre o organismo humano, o ciclo diário e a exposição à luz. A associação simbólica entre o Sol e o princípio masculino, portanto, pode ser vista como uma interessante correspondência cultural com um organismo que possui ritmos relacionados ao ciclo de luz e escuridão. O ciclo menstrual e a Lua A associação entre a Lua e o feminino também possui uma característica natural que chama atenção: a duração aproximada do ciclo menstrual e a duração do ciclo lunar. O ciclo menstrual varia de pessoa para pessoa, mas frequentemente ocorre em intervalos próximos a um mês. O ciclo lunar sinódico, por sua vez, dura aproximadamente 29,5 dias. Essa proximidade fez com que diferentes culturas estabelecessem uma relação entre a Lua e a menstruação. Mas existe uma diferença importante entre correspondência simbólica e comprovação científica. A ciência ainda não estabeleceu que o ciclo menstrual humano seja governado pela Lua. Existem estudos investigando possíveis associações entre fases lunares e menstruação, mas os resultados ainda são variados. Por que os antigos relacionavam o feminino à Lua? A Lua possui uma característica que provavelmente contribuiu para essa associação: ela é extremamente visível em seus ciclos. Lua nova, crescente, cheia e minguante formam uma sequência contínua de transformação que retorna ao ponto de partida. O ciclo lunar tornou-se, portanto, um poderoso símbolo de transformação, morte e renascimento, passagem do tempo e renovação. O feminino também foi associado a ciclos biológicos marcantes, especialmente menstruação, gestação, nascimento e maternidade.
IB Terapias: nova estrutura, migração para a Hotmart e esclarecimentos sobre os cursos
A IB Terapias está passando por um processo de reestruturação. Nos últimos meses, estamos trabalhando em mudanças na plataforma de cursos, no site, na organização dos conteúdos e em novos recursos para a nossa comunidade. O objetivo é simples: oferecer aos alunos uma estrutura mais estável, organizada e completa para seus estudos. Este artigo reúne os principais esclarecimentos sobre essas mudanças, especialmente sobre a migração para a Hotmart, os acessos aos cursos, o acesso vitalício, os certificados e a organização das 70 Terapias. Migração para a Hotmart A migração da nossa plataforma de cursos para a Hotmart foi concluída. Durante um período, utilizávamos uma plataforma que apresentou instabilidades e dificuldades de acesso para alguns alunos. Por isso, decidimos realizar a migração para uma estrutura mais consolidada, estável e segura. O antigo aplicativo da IB Terapias também não está mais disponível. Agora, os cursos são acessados pela Hotmart, que possui também um aplicativo que pode ser instalado para facilitar o acesso aos conteúdos. Como acessar os cursos? Os acessos são enviados para o e-mail utilizado no momento da compra. É importante observar que cada curso ou formação possui seu próprio link de acesso. Não existe necessariamente um único link geral para todos os cursos. Para acessar sua área de membros, utilize: https://ibterapias.com/login-ibterapias/ Também recomendamos utilizar os links específicos enviados pela nossa equipe para cada formação. Caso não encontre o e-mail, verifique também a caixa de spam ou lixo eletrônico. Utilizar links antigos ou o link de outra formação pode levar a uma página diferente, bloqueada ou até mesmo a uma página que apresente uma opção de compra. Não é necessário comprar novamente um curso que você já adquiriu. Os cursos que constam na sua conta correspondem às aquisições realizadas anteriormente. Estou com dificuldade para acessar. O que fazer? A migração trouxe uma quantidade significativa de solicitações para nossa equipe de suporte. Por isso, neste momento, nosso volume de atendimento está acima do normal. Pedimos um pouco de paciência. Todas as solicitações serão atendidas. Nossa equipe está trabalhando para verificar cada situação e regularizar os acessos necessários. Se você já entrou em contato, aguarde o retorno da equipe e evite enviar a mesma solicitação repetidamente por diferentes canais. Isso ajuda a manter a fila organizada e permite que nossa equipe avance nos atendimentos. Nosso objetivo não é simplesmente responder às mensagens, mas resolver cada situação corretamente. Sobre o acesso vitalício Para os alunos que adquiriram cursos com acesso vitalício, essa condição continua sendo respeitada. A migração de plataforma não faz com que o aluno perca o acesso adquirido. Em alguns casos, informações sobre o prazo de acesso podem aparecer de forma incorreta ou ainda estar sendo atualizadas na Hotmart. Isso está sendo ajustado em nosso sistema. Você não perderá o acesso vitalício por causa da migração. O progresso do meu curso apareceu zerado Após a migração, alguns alunos podem encontrar o progresso das aulas aparecendo como 0% ou diferente do que estava anteriormente. Isso não significa que o curso foi perdido e nem que será necessário refazer as aulas. Como o histórico de progresso não foi transferido integralmente para a nova estrutura, pode ser necessário marcar novamente como concluídas as aulas que você já havia realizado. Isso serve apenas para atualizar o progresso dentro da nova plataforma. Não é necessário assistir novamente às aulas que você já concluiu. Por que aparecem menos de 70 cursos na minha área? Esse é um dos principais pontos que queremos esclarecer. Na nova estrutura da Hotmart, os conteúdos das 70 Terapias estão organizados em 51 acessos ou formações. Isso não significa que existam apenas 51 terapias ou que algum conteúdo tenha sido retirado. Algumas formações reúnem diferentes cursos e conteúdos dentro de uma mesma área. Um exemplo: Constelação Familiar A formação de Constelação Familiar pode reunir diferentes conteúdos, como: Assim, vários conteúdos que anteriormente poderiam aparecer de maneira separada podem estar organizados dentro de uma única formação na nova plataforma. Por isso, a quantidade de links ou áreas exibidas na Hotmart não representa, por si só, a quantidade de conteúdos que fazem parte da formação. Caso você esteja procurando uma terapia específica, procure primeiro dentro da formação correspondente. E os certificados? Os certificados já emitidos continuam válidos. A migração de plataforma não exige que o aluno refaça o curso nem que emita um novo certificado. Também não é necessário renovar um certificado simplesmente porque houve mudança de plataforma. E o QR Code dos certificados antigos? Alguns certificados emitidos anteriormente possuem um QR Code que direcionava para o sistema ou domínio utilizado pela IB Terapias na época. Como nossa estrutura e nossos domínios foram atualizados, alguns desses QR Codes podem apresentar erro ou não funcionar da mesma forma que antes. Isso não significa, por si só, que o certificado perdeu sua validade. Estamos trabalhando para organizar também essa parte da transição. Uma nova estrutura para a comunidade IB Terapias A mudança não está acontecendo apenas na plataforma de cursos. Nosso site principal também está sendo transformado em um ponto central para a comunidade IB Terapias. Catálogo de cursos Estamos mantendo um catálogo atualizado com nossas principais formações, cursos da IB Terapias e conteúdos desenvolvidos em parceria com outros profissionais e instituições. Acesse o catálogo:https://ibterapias.com/catalogo/ Também estamos preparando novos serviços, como Análise Clínica e Supervisão Clínica Psicanalítica, voltados aos alunos que desejam aprofundar seus estudos. Artigos e produção dos nossos alunos O site também possui uma área dedicada a artigos. Nela, os alunos podem encontrar conteúdos relacionados às formações da IB Terapias, incluindo temas ligados à Psicanálise Clínica e às Terapias Holísticas. Acesse a área de artigos:https://ibterapias.com/category/artigos/ Além disso, queremos abrir espaço para a produção da própria comunidade. Os alunos poderão enviar seus artigos para avaliação e, quando aprovados, eles poderão ser publicados no site da IB Terapias. A ideia é criar um espaço de estudo e compartilhamento de conhecimento que também valorize a produção dos nossos alunos. As áreas de membros As duas principais áreas de membros da IB Terapias também estão integradas à nova estrutura
A projeção — por que enxergamos nos outros características e sentimentos que temos dificuldade de reconhecer em nós mesmos
O que é projeção? A projeção é um mecanismo psicológico pelo qual indivíduos atribuem seus próprios sentimentos, pensamentos ou características a outras pessoas. Esse fenômeno é frequentemente inconsciente e pode ocorrer em diversas situações sociais e emocionais. Como a projeção funciona? Quando uma pessoa tem dificuldades para reconhecer ou aceitar aspectos de si mesma, pode projetar esses sentimentos ou características em outras pessoas. Por exemplo, alguém que se sente inseguro pode perceber os outros como também inseguros, mesmo que isso não seja verdade. Mecanismos da Projeção Defesa Psicológica: A projeção serve como uma defesa contra a dor emocional. Ao atribuir características negativas a outros, a pessoa preserva sua autoimagem. Insegurança: Muitas vezes, indivíduos que se sentem inseguros se sentem melhor ao perceber falhas nos outros, aliviando temporariamente suas próprias inseguranças. Empatia ou Falta dela: Pode ser um jeito de criar uma conexão emocional ao sentir que compartilha experiências, mesmo que de forma distorcida. Exemplos práticos de projeção 1. Relações pessoais Uma pessoa que tem ciúmes pode acusar seu parceiro de traição, refletindo sua própria insegurança. 2. Ambiente de trabalho Um funcionário que não se sente competente pode criticar o trabalho de seus colegas, projetando suas próprias falhas. Isso pode criar um ambiente tóxico e prejudicar a colaboração. Por que é difícil reconhecer a projeção em nós mesmos? A identidade e a autoimagem são coisas complexas e muitas vezes frágeis. Reconhecer nossas próprias falhas pode ser doloroso e ameaçar nosso senso de valor. Além disso, a razão pode ser obscurecida por emoções intensas, como a raiva ou a tristeza, dificultando a autoavaliação objetiva. Impacto nas relações interpessoais A projeção pode prejudicar relações ao criar mal-entendidos e desconfiança. Quando alguém projeta seus sentimentos nos outros, isso pode levar a conflitos desnecessários. Como lidar com a projeção? Aumento da autoconsciência: Refletir sobre seus próprios sentimentos e experiências pode ajudar a reconhecer a projeção. Prática da empatia: Tentar compreender o ponto de vista dos outros pode diminuir a tendência de projetar sentimentos negativos. Busca por apoio: Conversar com amigos ou profissionais pode fornecer perspectiva e ajudar a processar emoções. Conclusão A projeção é um fenômeno comum que pode impactar nossas relações e a forma como percebemos o mundo. Ao trabalhar para entender esse mecanismo em nós mesmos, podemos promover uma comunicação mais saudável e construir relacionamentos mais autênticos.
A autossabotagem — por que muitas vezes somos nós mesmos que interrompemos aquilo que dizemos desejar
O Que É Autossabotagem? A autossabotagem é o comportamento onde uma pessoa, muitas vezes inconscientemente, impede seu próprio sucesso e felicidade. Isso pode se manifestar em diversas áreas da vida, como relacionamentos, carreira e saúde. Entender por que isso acontece é crucial para superá-la. Causas da Autossabotagem Crenças Limitantes: Muitas vezes, as pessoas carregam crenças negativas sobre si mesmas que as impedem de acreditar que são merecedoras de sucesso. Medo do Fracasso: O receio de não conseguir algo pode levar ao abandono de tentativas antes mesmo de começar. Medo do Sucesso: Estranhamente, algumas pessoas temem o sucesso, pois ele pode trazer mudanças desconfortáveis em suas vidas. Falta de Autoconhecimento: Sem um entendimento profundo de suas emoções e desejos, é fácil cair na armadilha da autossabotagem. Como Identificar Comportamentos Autossabotadores É importante reconhecer padrões que indicam autossabotagem. Aqui estão alguns comportamentos comuns: Procrastinação constante. Auto-crítica excessiva. Evitar responsabilidades importantes. Culpar fatores externos por falhas pessoais. Entrar em relacionamentos prejudiciais repetidamente. Impactos da Autossabotagem A autossabotagem pode afetar não apenas o bem-estar emocional, mas também a saúde física e as relações interpessoais. A longo prazo, isso pode levar à depressão, ansiedade e isolamento social. Impactos Profissionais No âmbito profissional, as pessoas podem perder oportunidades de emprego ou promoção. A falta de confiança pode resultar em um desempenho abaixo do potencial. Impactos Pessoais Nos relacionamentos, o medo de se abrir ou de ser vulnerável pode causar distanciamento afetivo e solidão. Como Superar a Autossabotagem Reconhecimento: O primeiro passo é reconhecer os padrões autossabotadores. Desenvolvimento de Novas Crenças: Trabalhar para substituir crenças limitantes por afirmativas fortalecedoras. Estabelecimento de Metas Realistas: Criar objetivos alcançáveis pode reduzir a sensação de sobrecarga. Prática de Mindfulness: Técnicas de meditação podem ajudar a aumentar a consciência emocional e reduzir a autocrítica. Buscar Apoio: Consultar terapeutas ou grupos de apoio pode proporcionar uma nova perspectiva e suporte. Exemplos de Autossabotagem Considere os seguintes cenários: Negar uma promoção: Uma pessoa recusa uma oferta de promoção por acreditar que não é capaz de cumprir as novas responsabilidades. Fim de relacionamentos: Outra pode acabar um relacionamento saudável por medo de intimidade. Perguntas Frequentes 1. A autossabotagem é comum? Sim, é uma ocorrência comum e pode afetar qualquer um em diferentes momentos da vida. 2. Como posso parar de me autossabotar? O reconhecimento é o primeiro passo. Praticar autocompaixão e estabelecer metas claras pode ajudar. Além disso, considere buscar ajuda profissional. 3. A autossabotagem pode ser uma resposta a traumas passados? Sim, traumas não resolvidos podem contribuir significativamente para esses padrões de comportamento. Conclusão Entender a autossabotagem é fundamental para conseguir superá-la. Ao identificar os gatilhos e comportamentos associados, é possível tomar atitudes positivas e direcionar a vida para os objetivos desejados. Com esforço e prática, qualquer pessoa pode romper esse ciclo e alcançar uma vida mais satisfatória.
A ÉTICA PSICANALÍTICA FRENTE AOS DESAFIOS GLOBAIS CONTEMPORÂNEOS: Reflexões sobre a Telepsicanálise em Tempos de Pandemia
Autor(a): Adilson Teodoro da Silva RQH: A-750949-BRA IBTERAPIAS – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas Psicanálise Clínica Adilson Teodoro da Silva A ÉTICA PSICANALÍTICA FRENTE AOS DESAFIOS GLOBAIS CONTEMPORÂNEOS: Reflexões sobre a Telepsicanálise em Tempos de Pandemia Uberlândia – MG 2026 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO3 2 DESENVOLVIMENTO4 2.1 A pandemia como ruptura do setting clássico freudiano4 2.2 A telepsicanálise como adaptação ética necessária4 2.3 Manter o ambiente terapêutico (Winnicott e Bion) na tela5 2.4 Privacidade e o novo consultório interno do sujeito6 2.5 Os ecos de outros desafios globais: trauma sociopolítico e desenraizamento6 3 DISCUSSÃO / ANÁLISE CRÍTICA7 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS9 REFERÊNCIAS9 Obs.: numeração de página aproximada — confira ao inserir numeração automática no Word (Inserir > Número de Página). A ÉTICA PSICANALÍTICA FRENTE AOS DESAFIOS GLOBAIS CONTEMPORÂNEOS: Reflexões sobre a Telepsicanálise em Tempos de Pandemia Adilson Teodoro da Silva 1 INTRODUÇÃO “Como profissional em constante processo de formação, compreendi que a psicanálise é um estudo contínuo para a vida toda. Ao enfrentar o desafio de integrar os fundamentos psicanalíticos com a prática clínica contemporânea, busquei nesta pesquisa compreender como a nossa ética se mantém firme diante das rupturas impostas pelos recentes cenários globais.” O autor A ética psicanalítica, desde a sua fundação com os trabalhos inaugurais de Sigmund Freud no final do século XIX e início do século XX, consolidou-se em torno de um eixo inegociável: a escuta rigorosa e flutuante, e a sustentação de um espaço seguro, livre de julgamentos morais, para a emergência das verdades mais profundas do inconsciente do sujeito. Historicamente, a garantia desse ambiente de acolhimento, sigilo e neutralidade foi delimitada pela materialidade do setting clínico — o consultório físico, a disposição do divã e a presença atenta e silenciosa do analista funcionavam como um verdadeiro território protegido das urgências do mundo exterior. A eclosão da pandemia de COVID-19, evento de proporções globais e impacto traumático sem precedentes, invadiu de forma abrupta esse enquadre até então protegido. O isolamento social obrigatório forçou uma reinvenção imediata da prática terapêutica. Diante desse cenário de ruptura, este trabalho delimita sua análise ao desafio de manter e adaptar o ambiente terapêutico e a postura analítica por meio da telepsicanálise nesse período crítico. Defende-se aqui a tese de que a transposição do setting físico para o ambiente virtual não representou um desvio técnico ou um empobrecimento da prática psicanalítica, mas configurou-se como um imperativo ético de cuidado e manutenção do laço transferencial. Nas seções seguintes, o texto discute a pandemia como ruptura do setting clássico, a migração para o digital como resposta ética, a viabilidade de recriar o continente simbólico (Winnicott e Bion) através das telas, e, por fim, as questões de privacidade e outros desafios globais correlatos. 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 A pandemia como ruptura do setting clássico freudiano O setting clássico, tal como desenhado por Freud, consolidou-se como um enquadre de rigor necessário: o uso do divã, a constância dos horários, a associação livre, a atenção flutuante e a presença física em um espaço isolado tornaram-se pilares da técnica. Esse arranjo constituía a moldura essencial para proteger o sujeito das invasões da realidade externa. A pandemia operou como ruptura traumática aguda dessa estrutura. Profissionais e pacientes viram-se submetidos ao mesmo risco e desamparo diante do adoecimento, fraturando a ilusão de uma assimetria protetora entre analista e analisando. A clínica presencial tornou-se, paradoxalmente, um potencial vetor de risco, precisando ser esvaziada — o que exigiu que a psicanálise interrogasse a si mesma sobre o que, de fato, constitui o cerne da experiência analítica. Pontos positivos: Evidenciou a resiliência e a capacidade de adaptação da técnica psicanalítica. Forçou uma reflexão teórica renovada sobre o que é essencial (função analítica) versus o que é acessório (espaço físico) no setting. Estimulou a comunidade psicanalítica a atualizar sua prática diante de uma realidade inédita. Pontos negativos / limites: Perda do controle do analista sobre o ambiente físico e suas variáveis. Ruptura abrupta, sem preparo teórico ou técnico prévio para grande parte dos profissionais. Sobrecarga emocional simultânea de analista e paciente, ambos atravessados pelo mesmo evento traumático coletivo. 2.2 A telepsicanálise como adaptação ética necessária Diante da impossibilidade sanitária do encontro físico, a migração para a telepsicanálise não ocorreu por conveniência ou interesse mercadológico, mas como resposta ética clinicamente responsável. Diferentemente da moralidade instituída (FREUD, 1930), a ética psicanalítica — conforme Lacan (2008) desenvolve em O Seminário, livro 7: A ética da psicanálise — fundamenta-se no compromisso do sujeito com seu próprio desejo e na responsabilidade do analista em sustentar esse espaço. O abandono do paciente no ápice de uma crise humanitária configuraria uma violação ética grave, impondo um segundo trauma a sujeitos já fragilizados. O próprio Freud demonstrava flexibilidade clínica quando a situação exigia, ajustando sua técnica à singularidade da dor apresentada. A telepsicanálise, assim, estabeleceu-se como ponte para manter viva a presença terapêutica. Pontos positivos: Garantiu a continuidade do cuidado, evitando o abandono do paciente em momento de crise aguda. Democratizou o acesso, alcançando pacientes em regiões sem profissionais especializados disponíveis. Manteve o vínculo transferencial vivo em um momento de ruptura social generalizada. Pontos negativos / limites: Risco de banalização da técnica por profissionais despreparados tecnicamente para o formato remoto. Ausência, em muitos contextos, de regulamentação clara sobre a prática à distância. Possível tensão entre necessidade clínica genuína e pressão mercadológica pela expansão do atendimento online. 2.3 Manter o ambiente terapêutico (Winnicott e Bion) na tela O espaço da clínica transcende sua materialidade; constitui uma geografia emocional e relacional. Winnicott legou o conceito de holding (sustentação) (WINNICOTT, 1983): o ambiente analítico deve funcionar como um espaço “suficientemente bom”, um colo simbólico para as regressões e vulnerabilidades do sujeito. Bion, de forma complementar, desenvolveu a noção de reverie (continência) (BION, 1991): a capacidade do terapeuta de receber emoções brutas do paciente, processá-las e devolvê-las de forma tolerável. Existe inegável perda sensorial na telepsicanálise: a linguagem corporal incompleta, a ausência do calor presencial, o desafio de sustentar silêncios sem a interferência da ansiedade tecnológica. No entanto, a vivência clínica revela que holding e reverie não dependem
A infância — como as primeiras experiências ajudam a construir nossa forma de amar, sentir, confiar e nos relacionar
A Influência da Infância nas Relações Interpessoais A infância é um período crucial que molda a forma como nos relacionamos, amamos e confiamos nas pessoas ao nosso redor. As experiências vivenciadas durante essa fase da vida têm um impacto duradouro em nossas emoções e comportamentos. Este artigo explora como esses primeiros anos configuram nossa personalidade e impactam nossas interações ao longo da vida. Desenvolvimento Emocional na Infância Os primeiros anos de vida são marcados por um intenso desenvolvimento emocional. Durante essa fase, as crianças aprendem a identificar e expressar suas emoções, bem como a reconhecer as emoções dos outros. Conexões Emocionais Vínculos afetivos: A relação com os cuidadores estabelece a base das futuras relações. Crianças que recebem amor e atenção tendem a desenvolver uma maior empatia. Segurança emocional: Um ambiente seguro permite que a criança explore o mundo, contribuindo para a formação de uma identidade saudável. Formando a Capacidade de Amar e Confiar As experiências nos primeiros anos afetam diretamente nossa capacidade de amar e confiar nos outros. A maneira como somos tratados por nossos pais ou responsáveis influencia não apenas nossos relacionamentos familiares, mas também as amizades e os relacionamentos românticos na vida adulta. Exemplos de Impacto Exposição ao amor: Crianças que crescem em lares amorosos têm mais chances de estabelecer relacionamentos afetivos positivos. Traumas ou negligência: Experiências negativas podem gerar dificuldades em confiar nos outros, resultando em relacionamentos problemáticos na vida adulta. A Importância da Comunicação Desde a infância, o modo como a comunicação é estabelecida desempenha um papel importante no desenrolar das relações interpessoais. Aprender a se comunicar efetivamente ajuda as crianças a expressarem sentimentos e a resolverem conflitos. Técnicas de Comunicação Efetiva Escuta ativa: Incentivar a escuta atenta pode ajudar as crianças a se sentirem valorizadas e compreendidas. Expressão de sentimentos: Ensinar as crianças a nomear e expressar suas emoções promove um ambiente saudável para o diálogo. Construindo Relacionamentos Saudáveis Os fundamentos estabelecidos na infância influenciam a capacidade de formar e manter relacionamentos saudáveis na vida adulta. Entender essas influências pode ajudar indivíduos a refletirem sobre seus comportamentos e a trabalharem por mudanças positivas. Estratégias para Melhorar Relacionamentos Reconhecimento de padrões: Identificar comportamentos repetitivos oriundos da infância pode facilitar o processo de mudança. Desenvolvimento pessoal: Investir em terapia ou práticas de autocuidado pode ajudar a curar feridas emocionais e a fortalecer vínculos. Conclusão A infância desempenha um papel fundamental na formação de nossas capacidades emocionais e na maneira como nos relacionamos com o mundo. Entender essas dinâmicas é crucial para promover relacionamentos saudáveis e gratificantes ao longo da vida. Ao reconhecer a importância das experiências da infância, podemos buscar maneiras de melhorar nossas relações, promovendo um ciclo positivo de amor, confiança e empatia.
Transferência e Contratransferência: Fundamentos e Implicações para a Prática Psicanalítica
Autor(a): DOUGLAS FERNANDO PEREIRA DA SILVA RQH: D-068596-BRA 1. Introdução A psicanálise, desde sua fundação por Sigmund Freud, tem na relação entre analista e analisando o eixo central de seu método terapêutico. Dentro dessa relação, dois fenômenos se destacam pela sua importância clínica e teórica: a transferência e a contratransferência. Compreender esses processos não é apenas uma exigência técnica, mas uma condição para que o trabalho analítico produza efeitos verdadeiramente transformadores na vida do sujeito. Ao longo deste curso de formação, o contato com os módulos dedicados à técnica psicanalítica evidenciou como esses dois conceitos, longe de serem meras curiosidades históricas do pensamento freudiano, permanecem absolutamente atuais e estruturantes para qualquer prática clínica orientada pela psicanálise. O tema escolhido para esta redação temática, portanto, decorre diretamente do percurso formativo realizado: a transferência e a contratransferência atravessam praticamente todos os demais conteúdos estudados, da estruturação da personalidade à supervisão clínica, e por isso constituem um ponto de convergência adequado para refletir sobre a aprendizagem obtida. 2. Objetivo do trabalho Esta redação tem como objetivo investigar os conceitos de transferência e contratransferência na perspectiva psicanalítica, discutindo suas origens teóricas, seus desdobramentos nas diferentes escolas pós-freudianas e suas implicações práticas no manejo clínico. Pretende-se, ainda, articular esses conceitos com a experiência de formação vivida ao longo do curso, de modo a demonstrar a apropriação crítica e reflexiva do repertório teórico-técnico apresentado. 3. Revisão da literatura Freud (2010 [1912]) introduziu o conceito de transferência ainda no final do século XIX, ao observar que os pacientes deslocavam para a figura do analista sentimentos, expectativas e conflitos originalmente dirigidos a outras pessoas significativas de sua história, sobretudo figuras parentais. O que inicialmente foi percebido como um obstáculo ao tratamento, uma espécie de resistência disfarçada, passou a ser compreendido como o próprio motor do processo analítico: é através da transferência que o inconsciente se atualiza e se torna passível de interpretação (FREUD, 2010 [1912]). Autores pós-freudianos ampliaram consideravelmente esse conceito. Klein (1991) deslocou o foco para as relações objetais precoces, entendendo a transferência como reedição de fantasias inconscientes arcaicas. Lacan (1992), por sua vez, articulou a transferência à noção de sujeito suposto saber, destacando sua dimensão simbólica e o lugar que o analista ocupa na estrutura discursiva do paciente. Já a contratransferência, inicialmente vista por Freud (2010 [1912]) como um obstáculo a ser eliminado por meio da análise pessoal do analista, foi posteriormente revalorizada por Heimann (1950) e Winnicott (2000) como um instrumento clínico legítimo, capaz de fornecer informações valiosas sobre o mundo interno do paciente. 4. Fundamentação teórica A transferência pode ser compreendida como a atualização, no vínculo com o analista, de padrões relacionais e afetos inconscientes constituídos na história do sujeito (FREUD, 2010 [1912]). Ela não se restringe a sentimentos positivos de afeto e confiança (transferência positiva), podendo manifestar-se também como hostilidade, desconfiança ou rejeição (transferência negativa). A contratransferência, por sua vez, refere-se ao conjunto de reações emocionais do analista diante do paciente e do material por ele trazido, reações que podem ser tanto uma resposta inconsciente aos próprios conflitos do analista quanto uma resposta induzida pelo paciente, funcionando como via de acesso a conteúdos que ainda não podem ser verbalizados (HEIMANN, 1950). O manejo dessas dinâmicas exige do analista um contínuo trabalho de autoanálise e escuta de si mesmo durante a sessão, de modo que a contratransferência seja utilizada como instrumento de compreensão, e não como atuação impensada (o chamado acting out do próprio analista) (WINNICOTT, 2000). É nesse sentido que a formação analítica tradicionalmente exige, além do estudo teórico, a experiência de análise pessoal e a supervisão clínica continuada (FREUD, 2010 [1912]), temas que também constam entre as exigências mínimas deste curso. 5. Metodologia Este trabalho foi elaborado a partir de revisão bibliográfica sobre os conceitos de transferência e contratransferência na literatura psicanalítica clássica e contemporânea (FREUD, 2010 [1912]; KLEIN, 1991; HEIMANN, 1950; LACAN, 1992; WINNICOTT, 2000), articulada à experiência de aprendizagem vivenciada ao longo dos módulos do curso, incluindo os conteúdos apresentados em vídeo-aula, os textos de apoio disponibilizados e as reflexões suscitadas pelas autoavaliações realizadas ao final de cada módulo. Trata-se, portanto, de uma abordagem qualitativa e reflexiva, coerente com a proposta de uma redação temática que documenta o processo formativo do cursista. 6. Análise e discussão Ao longo do curso, ficou evidente que transferência e contratransferência não podem ser pensadas isoladamente: constituem uma dinâmica bidirecional, um campo intersubjetivo em que ambos os participantes, analista e analisando, estão implicados (HEIMANN, 1950). Essa compreensão relativiza a ideia, presente em leituras mais superficiais da psicanálise, de que o analista ocuparia um lugar de neutralidade absoluta e de distanciamento emocional. Pelo contrário: o reconhecimento da própria contratransferência é o que permite ao analista distinguir entre uma resposta emocional que lhe é própria e uma comunicação inconsciente do paciente, evitando tanto a rigidez técnica excessiva quanto a atuação descontrolada (WINNICOTT, 2000). Essa discussão dialoga diretamente com outros temas estudados no curso, como os mecanismos de defesa e a estruturação da personalidade, na medida em que a transferência frequentemente reencena, na relação com o analista, os mesmos mecanismos defensivos que organizam a vida psíquica do paciente em outros contextos relacionais (KLEIN, 1991). 7. Estudos de caso A título ilustrativo, e resguardado o sigilo ético que rege qualquer material clínico, pode-se pensar em uma situação hipotética recorrente na prática analítica: um paciente que, ao longo do tratamento, passa a demonstrar irritação crescente com pequenos atrasos ou alterações de horário por parte do analista. Uma leitura apressada poderia reduzir essa reação a uma simples queixa pontual. Uma escuta orientada pela noção de transferência, no entanto, permite investigar se essa reação reedita experiências infantis de abandono ou de descuido por parte de figuras parentais, revelando um padrão relacional mais amplo (FREUD, 2010 [1912]). Do lado do analista, a contratransferência pode se manifestar como impaciência, culpa excessiva ou necessidade de se justificar, reações que, uma vez reconhecidas e elaboradas pelo próprio analista, tornam-se material valioso para a compreensão do funcionamento psíquico do paciente, em vez de serem simplesmente descartadas